Reencarnação, Uma Lei Biológica I
Gilberto Perez Cardoso
Médico, professor universitário, orador e escritor espírita
A reencarnação é uma lei biológica. Esta noção não só é um dos pilares da Doutrina Espírita como se sustenta em grande número de evidências e argumentos de ordem filosófica, religiosa, histórica e científica.
Iniciemos pelo campo religioso. Se formos consultar as antigas religiões, recordando noções ensinadas em antigas civilizações, vamos surpreender o Papiro Anana, no Antigo Egito, há cerca de 1300 anos A . C. e o código de Manu, na Índia Antiga, há cerca de 1300 A .C., registrando e divulgando a reencarnação. Buda, o Iluminado, na Índia de 500 A . C., também o fazia, donde temos a noção, muito difundida nos dias atuais, do “carma”.
Também é curioso lembrar as concepções vigentes na Antiga Grécia, quando conhecimentos reencarnacionistas eram corriqueiros. Recordemo-nos da notável figura de Pitágoras, por volta de 500 A C., ensinando a reencarnação, o que também se pode dizer de Sócrates, retratado nas famosas obras de seu discípulo Platão: Fedon, O Banquete, Diálogos e República.
Zoroastro, na Antiga Pérsia, também defendeu noções reencarnacionistas.
Em toda a Antigüidade, nos mais diversos pontos do planeta, vamos encontrar o ensino generoso do conceito da reencarnação.
Em termos práticos, segundo suas respectivas crenças, podemos classificar as criaturas que formam a Humanidade dentro de 3 distintas categorias: os materialistas (minoria); os espiritualistas ( acreditam na alma ou no espírito, sem aceitarem a reencarnação) e os reencarnacionistas. Estes últimos, em termos numéricos, são maioria em nosso planeta, pois pertencem a nações populosas onde é forte o conceito de reencarnação.
Na seara religiosa há ainda evidentes argumentos a favor da reencarnação. Vejamos o que nos diz o Velho Testamento. Em Jó, 1:21 e em Jeremias, 1:5, há dois trechos que são a pura expressão da reencarnação. Respectivamente “nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei para lá....” e “antes de te formar no ventre materno eu te conheci...” Ora, os trechos são evidentes, apontando a existência de um ente inteligente antes de se formar o corpo carnal. Isso é reencarnação...
No Novo Testamento há diversas passagens claras a favor da reencarnação, que era conceito vigente entre os judeus no tempo em que por lá esteve Jesus. Quem tiver curiosidade, basta consultar Mateus 11:7 a 5; 16: 13 e 14; e 17: 12 e 13, quando Jesus diz claramente aos discípulos que João Batista seria o profeta Elias reencarnado. Os próprios discípulos, segundo o trecho, não se espantaram com a pergunta de Jesus, sobre “quem seria o Filho do Homem”, e arriscam mesmo alguns palpites de reencarnações, como diz o trecho evangélico. Isso significa que os discípulos estavam familiarizados com o fato de que o renascimento seria uma Lei da Natureza. Para arrematar, em João, 3: 1 a 10, Jesus dá a notável e maravilhosa lição a Nicodemos, confirmando a veracidade da reencarnação, expressa pelo “não te maravilhes de te ter dito: necessário vos é nascer de novo...” Muita gente tenta interpretar essa assertiva num sentido alegórico ou figurado, mas Jesus é muito claro, tanto que reforça a explicação a Nicodemos, dando a entender que se tratava de um fenômeno biológico e não de uma alegoria.
Aliás, a noção da reencarnação entre os judeus era disseminada e não se encontrava circunscrita aos textos dos evangelistas. No famoso livro “Guerra dos Judeus”, o historiador Flavio Josefo, no século I, cita recomendações que eram passadas aos soldados israelitas no sentido de não se suicidarem, após estarem encurralados ou terem sido capturados, em virtude das conseqüências que lhes adviriam em uma nova encarnação!
O Cristianismo primitivo era reencarnacionista, foi estruturado nessas bases, bastando para isso que consultemos as recomendações emitidas pelos pioneiros Clemente de Alexandria e Orígenes. A noção de reencarnação foi abolida do Cristianismo nascente no famoso concílio de Constantinopla no ano de 553, em votação apertada. A reencarnação perdeu por 3 a 2! Nessa votação foram também condenadas certas “heresias” atribuídas a Orígenes que, entretanto, continuaram a ser ensinadas por movimentos cristãos paralelos e que perduram até hoje.
Em suma, cerca de 2/3 dos habitantes e grupos humanos que compõem nosso planeta, por incrível que isto possa parecer, são compostos de criaturas que aceitam o conceito de reencarnação, a maioria adepta de filosofias ou religiões de cunho reencarnacionista . Entre os povos ou grupos humanos reencarnacionistas, podemos ainda situar: celtas, druidas, teutões, cátaros, ciganos, vários grupos indígenas, aborígenes, esquimós, tinglits (índios do Alaska) e muitos outros.
Numa segunda parte, oportunamente, vamos acrescentar argumentos e elementos de natureza filosófica e científica a esta nossa exposição a favor do conceito da reencarnação como uma lei biológica. ■